A dois dias do Egito

Petra, na Jordânia

Uma cidade inteira esculpida na rocha rosa há mais de dois mil anos, a poucas horas da fronteira egípcia. O que é, quem construiu, o que dá para ver — e como encaixar na mesma viagem das pirâmides.

  • Séc. IV a.C. os nabateus
  • 1,2 km de desfiladeiro até o Tesouro
  • 1985 Patrimônio da Unesco
  • Licença 547 desde 1985

Onde fica Petra?

No sul da Jordânia, a cerca de três horas de carro de Amã, a capital, e a duas horas de Aqaba, no Mar Vermelho. Fica no meio de um planalto de montanhas de arenito, perto da cidade moderna de Wadi Musa — é lá que ficam os hotéis.

Para quem está no Egito, a conta que importa é esta: Petra está a um voo curto ou a uma travessia de fronteira do Sinai. É o acréscimo mais natural a um roteiro egípcio.

Distâncias reais: Cairo–Amã é cerca de 1h30 de voo. Pela terra, a rota é Sinai → Taba → Aqaba → Petra. As duas funcionam; a escolha depende de quantos dias você tem.

O que é a cidade de Petra?

Foi a capital do reino nabateu — um povo de origem árabe que enriqueceu controlando as rotas de caravanas de incenso, mirra e especiarias entre a Arábia, a Síria e o Egito. Petra era o entreposto onde essas caravanas paravam, pagavam e abasteciam.

O que sobrou não são casas: são fachadas de templos e tumbas talhadas diretamente no paredão de rocha, algumas com mais de 40 metros de altura. A pedra tem veios cor-de-rosa, vermelho e ocre, que mudam conforme a hora do dia — daí o apelido de “cidade rosa”.

Quem construiu Petra?

Os nabateus, a partir do século IV a.C., com o auge entre o século I a.C. e o século I d.C. Não foram os romanos, embora Roma tenha anexado o reino em 106 d.C. e deixado sua marca — o teatro e a rua colunada são dessa fase.

Os nabateus eram, antes de tudo, engenheiros de água. Em uma região que recebe pouquíssima chuva, eles construíram barragens, cisternas e canais que seguravam as enxurradas de inverno e abasteciam a cidade o ano inteiro. É esse sistema, mais do que as fachadas, que explica como dezenas de milhares de pessoas viveram ali.

Como se entra em Petra: o Siq

A entrada é um desfiladeiro natural de cerca de 1,2 km chamado Siq — uma fenda entre paredões que chegam a 80 metros de altura e que em alguns trechos tem só três ou quatro metros de largura. Caminha-se por ele uns vinte minutos, no escuro parcial.

No fim do Siq, a fenda se abre de repente para a fachada do Al-Khazneh, o “Tesouro”. Esse efeito é o motivo pelo qual as fotos nunca fazem justiça ao lugar: ele foi projetado para ser uma revelação, e continua funcionando assim.

O Tesouro de Petra iluminado por velas à noite
O Khazneh, o “Tesouro”, à luz de velas

O que tem dentro de Petra?

Mais do que cabe em um dia, e é o erro mais comum de quem vai.

  • Al-Khazneh (o Tesouro) — a fachada do fim do Siq, provavelmente a tumba do rei Aretas IV
  • A Rua das Fachadas e o teatro talhado na rocha
  • O Mosteiro (Ad-Deir) — maior que o Tesouro, no alto de 800 degraus
  • As Tumbas Reais, na parede leste, com a melhor luz ao fim da tarde
  • A rua colunada romana, do período posterior

Apesar do nome, o Tesouro não guardava tesouro nenhum: é um túmulo. O nome vem de uma lenda beduína de que haveria ouro escondido na urna do alto — que por isso aparece marcada de tiros.

Petra é uma das sete maravilhas do mundo?

Depende de qual lista. Petra foi eleita uma das Novas Sete Maravilhas do Mundo, na votação popular de 2007. Ela não faz parte das Sete Maravilhas do Mundo Antigo, a lista clássica greco-romana — dessa, a única que ainda está de pé é a Grande Pirâmide de Gizé.

As duas listas são confundidas o tempo todo. A antiga tinha sete monumentos do Mediterrâneo; a nova foi uma eleição por internet e telefone, com candidatos do mundo inteiro.

Petra e o Monte Nebo: a Jordânia bíblica

Para quem viaja com interesse religioso, a Jordânia tem um roteiro próprio. O Monte Nebo é o lugar onde, segundo o livro de Deuteronômio, Moisés avistou a Terra Prometida e morreu sem entrar nela. Do alto, em dia claro, vê-se o vale do Jordão, o Mar Morto e, ao longe, as colinas de Jerusalém.

Também na Jordânia ficam Betânia além do Jordão, apontada como o local do batismo de Jesus, e Madaba, com o mapa-mosaico bizantino do século VI que mostra a Terra Santa.

Sobre Petra na Bíblia: a região é associada por alguns estudiosos a Edom e ao local chamado Sela, mas a identificação é discutida e não há consenso. Dizemos isso com honestidade porque a pergunta aparece muito.

Egito e Jordânia na mesma viagem

É a combinação mais pedida depois do Egito sozinho, e faz sentido geográfico: os dois países fazem fronteira, e o trecho entre o Sinai e Aqaba é curto. O formato que funciona é Egito primeiro — Cairo, Nilo —, Jordânia depois, com três a quatro dias para Petra, Wadi Rum e o Mar Morto.

Não vendemos a Jordânia como pacote de prateleira. Montamos o trecho jordaniano sob medida, com o número de dias que sobra do Egito, e cotamos por escrito. É por isso que não há preço fixo nesta página — ele depende de quantas noites, quantas pessoas e por onde você entra.

Combinação Dias extras O que entra
Egito + Petra 3 a 4 Petra com guia, uma noite em Wadi Musa
Egito + Petra + Wadi Rum 4 a 5 Acrescenta a noite no deserto, em acampamento
Egito + Jordânia completa 6 a 7 Amã, Jerash, Monte Nebo, Petra, Wadi Rum, Mar Morto

Dúvidas sobre Petra e a Jordânia

Quanto tempo preciso para visitar Petra?

Um dia inteiro vê o essencial — Siq, Tesouro, Tumbas Reais e a rua romana. Dois dias é o que a maioria de quem já foi recomenda, porque só assim dá para subir ao Mosteiro sem correr. Meio dia não é suficiente: só o Siq e a volta já são quase uma hora de caminhada.

A Jordânia é perto do Egito?

É. Os dois países fazem fronteira na ponta do Sinai, e Aqaba, no lado jordaniano, fica a poucos quilômetros de Taba, no lado egípcio. De avião, Cairo–Amã é cerca de uma hora e meia.

Brasileiro precisa de visto para a Jordânia?

Precisa. Existe o Jordan Pass, comprado antes da viagem, que normalmente reúne a taxa de visto e a entrada em Petra e em vários outros sítios — costuma compensar para quem fica algumas noites no país. As regras mudam de tempos em tempos, então confirme as condições vigentes antes de comprar; nós confirmamos por escrito quando montamos o roteiro.

Dá para incluir Israel também?

Geograficamente, sim — Egito, Israel e Jordânia são vizinhos e o circuito existe. Na prática envolve fronteiras terrestres, carimbos e regras que mudam, e nem sempre compensa em viagens curtas. Diga se é o seu caso e avaliamos com franqueza.

O que é Wadi Rum?

Um deserto de areia vermelha e formações de arenito no sul da Jordânia, a umas duas horas de Petra. Dorme-se em acampamento beduíno, e é onde foram rodados vários filmes ambientados em outros planetas. Costuma ser a melhor segunda noite jordaniana.

Aqaba vale a pena?

Vale se você quer mergulho no Mar Vermelho pelo lado jordaniano ou se vai cruzar a fronteira por ali. Como destino de praia em si, Hurghada e Sharm, no Egito, têm mais estrutura e saem mais em conta.

E Jerash?

É a cidade romana mais bem preservada do Oriente Médio, ao norte de Amã — ruas com colunas, dois teatros e um hipódromo. Entra nos roteiros de seis dias ou mais; em três dias, Petra e Wadi Rum vêm primeiro.

Quer somar Petra ao seu roteiro no Egito?

Diga quantos dias você tem no total e por onde entra. Devolvemos o trecho jordaniano montado, com preço por escrito e em português — e dizemos se não couber.