Faraós do Egito: os Nomes que Você Precisa Conhecer
Três mil anos, trinta dinastias e cerca de trezentos reis — mas uma dúzia deles explica praticamente tudo o que você vai ver de pé no Egito.
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O que a palavra faraó significa de verdade
“Faraó” não era um título. Vem do egípcio per-aa, que quer dizer “grande casa” — ou seja, o palácio, o prédio, a instituição.
Por séculos os egípcios usaram a palavra para falar da corte, não do homem. Só no Império Novo, por volta de 1400 a.C., per-aa passou a designar a pessoa do rei. É o mesmo mecanismo de “a Casa Branca decidiu” ou “o Palácio informou”: o edifício vira sinônimo de quem manda nele.
Isso tem uma consequência prática que quase nenhum texto menciona: Quéops nunca foi chamado de faraó em vida. Nem Djoser, nem Quéfren. Chamamos assim retroativamente, por conveniência, mil anos antes de a palavra existir com esse sentido.
O título que eles de fato usavam era nesut-bity, “Aquele do Junco e da Abelha” — rei do Alto e do Baixo Egito. A dupla realeza está na origem de tudo, inclusive da coroa dupla.
Cada rei tinha cinco nomes
Quando você olhar um cartucho numa parede, saiba que está vendo apenas um quinto do nome oficial. A titulatura real completa tinha cinco nomes, cada um assumido na coroação:
- Nome de Hórus — o rei como encarnação do deus falcão
- Nome das Duas Senhoras — sob a proteção de Nekhbet e Uadjet, as deusas do Alto e do Baixo Egito
- Nome de Hórus de Ouro
- Prenome (nesut-bity) — o nome de trono, o mais usado nos documentos
- Nome de nascimento (sa-Ra, “filho de Rá”) — o que costumamos usar hoje
Os dois últimos são os que aparecem dentro de cartuchos, aqueles ovais alongados. Por isso um mesmo rei aparece com dois cartuchos lado a lado, e por isso Ramsés II é Usermaatra Setepenra Ramessu quando a inscrição está completa.
Se quiser aprender a reconhecê-los na parede, comece pela página de hieróglifos — o cartucho é a primeira coisa que qualquer visitante consegue ler sozinho.
Os faraós que você vai realmente encontrar
Não vale decorar trezentos nomes. Estes são os que aparecem nos lugares onde você vai pisar:
3100 a.C.Narmer, o unificador
A Paleta de Narmer, no Museu Egípcio, mostra o rei usando a coroa branca de um lado e a vermelha do outro. É o documento fundador do Egito unificado, e provavelmente o primeiro documento histórico do país.
2650 a.C.Djoser e a primeira pirâmide
A pirâmide de degraus de Saqqara, projetada por Imhotep, é a primeira grande construção em pedra cortada do mundo. Tudo em Gizé é consequência dela.
2560 a.C.Quéops, Quéfren e Miquerinos
1470 a.C.Hatshepsut, a rainha que virou rei
Governou por cerca de vinte anos com a titulatura completa de rei, barba postiça inclusive. O templo dela em Deir el-Bahari, encaixado na falésia da margem oeste de Luxor, é um dos edifícios mais bonitos do Egito.
1350 a.C.Akhenaton e a ruptura
Aboliu o culto dos outros deuses em favor de Aton, o disco solar, mudou a capital e mudou até o estilo da arte. Marido de Nefertiti. Depois da morte dele, o Egito apagou seu nome das listas reais.
1330 a.C.Tutancâmon
Reinou pouco e morreu jovem. Ficou famoso por um acidente da história: foi o único cuja tumba chegou quase intacta ao século XX. Veja a página dele.
1279 a.C.Ramsés II
Sessenta e seis anos de reinado, mais de cem filhos registrados e construções por todo o país. Abu Simbel é dele, boa parte de Karnak é dele, e a múmia está no Cairo.
30 a.C.Cleópatra VII, a última
Grega de família macedônia, não egípcia de sangue — e a última a governar o Egito como Estado independente. Detalhes em Cleópatra.
Mulheres no trono do Egito
Foram poucas, e por isso mesmo interessantes. O trono egípcio era masculino por definição teológica: o rei era o Hórus vivo. Uma mulher no cargo exigia contorção institucional.
Sobekneferu, no Império Médio, é a primeira que temos documentada com titulatura real completa. Hatshepsut é a mais bem-sucedida — governou duas décadas de prosperidade e expedições comerciais, e foi retratada como homem nas estátuas oficiais, o que era uma solução formal, não um disfarce. Cleópatra VII fecha a lista três mil anos depois.
Há ainda o caso não resolvido de Neferneferuaton, um soberano do fim do período de Amarna que boa parte dos egiptólogos acredita ser Nefertiti governando por direito próprio. Não está provado, e é honesto dizer isso.
Sobre a lógica religiosa que tornava tudo isso complicado, veja deuses do Egito e Hórus.
Como reconhecer um faraó numa parede
Você vai ver centenas de figuras reais. Estes sinais identificam o rei em qualquer relevo:
- Nemes — o toucado listrado que cai sobre os ombros, o mesmo da máscara de Tutancâmon
- Uraeus — a cobra na testa, que cospe fogo nos inimigos do rei
- Coroa dupla — a branca do Alto Egito encaixada na vermelha do Baixo Egito
- Cajado e mangual — cruzados sobre o peito: o pastor que guia e o instrumento que colhe
- Barba postiça — reta para o rei vivo, curvada na ponta para o rei já divinizado
- Escala — o faraó é desenhado maior que todo mundo, sempre. Tamanho é hierarquia, não perspectiva
Esse último ponto é o que mais ajuda: numa cena de batalha, o gigante no carro é o rei, e as figurinhas embaixo dos cavalos são o resto da humanidade.
O que cada um deles deixou de pé
De Saqqara a Karnak, na ordem em que os reis aparecem.




Perguntas sobre os faraós
Quantos faraós existiram no Egito?
Em torno de trezentos, distribuídos por cerca de trinta dinastias e três mil anos. O número exato varia conforme a lista real usada e conforme o que se conta como reinado legítimo — períodos de governos paralelos e reis efêmeros tornam a contagem imprecisa por natureza.
Qual foi o faraó mais importante?
Depende do critério. Por duração e volume de construção, Ramsés II. Por consequência histórica, Narmer, que criou o Estado. Por fama, Tutancâmon, que reinou pouco e importou pouco em vida. Por ruptura, Akhenaton. Nenhuma resposta única é honesta.
O faraó era considerado um deus?
Em vida, era o intermediário entre os deuses e os homens, e a encarnação de Hórus no trono — divino pela função, não exatamente como os deuses do templo. Depois de morto, era identificado com Osíris e recebia culto próprio. A distinção importa e costuma se perder nas simplificações.
Onde posso ver múmias de faraós?
Na sala das múmias reais do Museu Nacional da Civilização Egípcia, no Cairo, com 22 reis e rainhas. Tutancâmon é a exceção: continua na própria tumba, em Luxor. Está tudo explicado em múmias do Egito.
Cleópatra era egípcia?
Etnicamente era grega, descendente de Ptolomeu, general macedônio de Alexandre. Culturalmente se apresentava como faraó egípcia e foi a única da dinastia que aprendeu a língua do país. As duas coisas são verdadeiras ao mesmo tempo.
Ver o que esses reis deixaram
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